15-11-2024
SANDPLAY - Terapia do Jogo de Areia

O Sandplay foi criado pela psicoterapeuta suíça Dora M. Kalff, em 1948, e fundamentado sobre as sólidas bases da Psicologia Junguiana.
Trata-se de um método de terapia não verbal e não racional, que atinge os níveis mais profundos da psique.
O paciente cria um cenário dentro de uma caixa com medidas determinadas que favorecem uma abrangente visão desse cenário — o fundo deve ser azul. Dentro da caixa coloca-se areia (importante ser areia de praia, que pode ser peneirada e esterilizada). A caixa pode estar sobre um cavalete ou colocar-se sobre uma mesa (no caso de crianças mais novas).
O cenário deve ser criado com miniaturas disponibilizadas em prateleiras, para livre escolha do paciente. As categorias básicas de miniaturas necessárias são: figuras humanas, acessórios e utensílios para humanos, móveis/utensílios para casa, alimentos e bebidas, arquitectura (casas, pontes, prédios), meios de transporte, animais, elementos da natureza, crença/fantasia, figuras mágicas/arquetípicas e figuras mitológicas.
A série de cenários criados representa a confrontação prática e contínua com a psique. Um diálogo interno é elaborado a partir da construção e do contacto com esse cenário.
Segundo Weinrib (1993, p. 37), o aspecto central do jogo de areia de Kalff é o conceito de «espaço livre e protegido», que tem dimensões tanto físicas quanto psicológicas.
Este método propõe bases para a interacção corpo e mente, matéria e espírito — cria um campo onde o espírito e o corpo podem influenciar-se mutuamente.
O elemento físico do espaço livre e protegido é a caixa de areia. A proteção implica a limitação da liberdade: enquanto o paciente está livre para criar com inúmeras possibilidades de acordo com as miniaturas disponibilizadas, elas são «finitas».
O importante do método é que a criação desse cenário se dá no espaço protegido do ambiente terapêutico, onde o paciente pode criar sem interferências do terapeuta, o que difere do método de análise dos sonhos, onde há a possibilidade de ampliação na própria sessão.
O diálogo com as imagens criadas na caixa propõe a integração dos conteúdos inconscientes que vêm à tona e chegam à consciência através das imagens arquetípicas ali dispostas.
Os cenários criados só devem ser desfeitos pelo terapeuta, depois que o paciente deixa o setting terapêutico e após serem fotografados. Isto é muito importante: o paciente não deve desmontar o cenário — deve levar consigo a imagem criada por si.
Concluindo: o método é de suma importância no processo terapêutico, pois quando o paciente entra em contacto com a imagem construída por ele, essa vai reverberar dentro de si para que o processo de integração dos conteúdos inconscientes surgidos nesse contacto possa ser elaborado e integrado à consciência.



